São Paulo também pode ser contada pelo que se ouviu.
A cidade cresceu, se transformou, recebeu populações de diferentes lugares e criou novos modos de viver, trabalhar, circular e ocupar seus territórios. Nesse processo, a música não esteve apenas nos palcos. Ela esteve nas ruas, nos bairros, nos clubes, nas escolas, nas festas, nas igrejas, nos bares, nos bailes, nas rádios, nos estúdios improvisados e nos encontros entre pessoas.
Memórias Sonoras parte dessa relação entre música e cidade para investigar como diferentes experiências musicais ajudaram a formar São Paulo e suas culturas urbanas.
Samba, pagode, rock, MPB, rap, forró, baião, frevo, xote, repente e outras expressões e tradições musicais aparecem como pontos de entrada para essa investigação. O projeto também observa os processos pelos quais essas linguagens se encontraram em São Paulo, foram reinterpretadas em novos contextos e passaram a fazer parte da vida cultural de diferentes bairros e gerações.
A presença nordestina ocupa um lugar importante nessa história. Os deslocamentos de homens e mulheres nordestinos para São Paulo trouxeram repertórios, práticas culturais, formas de sociabilidade e modos próprios de viver a música, que passaram a dialogar com as linguagens já existentes na cidade.
A música, portanto, não é tratada apenas como trilha sonora da história de São Paulo. Ela é um dos lugares onde essa história aconteceu.